BPC para criança com autismo: quais são os requisitos?

BPC para criança com autismo: quais são os requisitos?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), pode ser concedido à criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) quando os requisitos legais são preenchidos.

O autismo é reconhecido legalmente como deficiência para todos os efeitos legais. Porém, o diagnóstico, por si só, não garante a concessão do BPC. É necessário analisar a situação da criança e da família de acordo com os critérios estabelecidos para o benefício.

Criança com autismo pode receber BPC?

Sim. O BPC pode ser concedido à pessoa com deficiência de qualquer idade, inclusive crianças com TEA.

Para isso, é necessário comprovar a existência de impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, possa dificultar a participação plena e efetiva da pessoa na sociedade em igualdade de condições com as demais.

No caso do autismo, a análise deve considerar como as características e limitações decorrentes do TEA afetam a vida da criança, e não apenas o diagnóstico registrado em um documento médico.

Quais são os principais requisitos?

De forma geral, a criança com autismo precisa atender aos critérios relacionados à deficiência e à vulnerabilidade socioeconômica.

Entre os principais pontos analisados estão:

  • existência de impedimento de longo prazo;
  • impactos e limitações na vida cotidiana;
  • situação socioeconômica do grupo familiar;
  • composição e renda familiar;
  • inscrição e informações atualizadas no Cadastro Único;
  • cumprimento dos demais requisitos administrativos previstos para o benefício.

A análise deve considerar a realidade da criança e do núcleo familiar.

O diagnóstico de autismo garante o BPC?

Não.

Ter um diagnóstico de TEA é um elemento importante, mas não significa que o BPC será concedido automaticamente.

A avaliação busca verificar os efeitos do impedimento de longo prazo e as barreiras enfrentadas pela criança. Também é necessário atender aos critérios relacionados à vulnerabilidade socioeconômica.

Por isso, crianças com o mesmo diagnóstico podem ter resultados diferentes em seus pedidos, dependendo das circunstâncias de cada família.

Como funciona a avaliação da criança?

A concessão do BPC para pessoa com deficiência envolve avaliação que considera aspectos médicos e sociais.

No caso de uma criança com autismo, é importante que a documentação disponível permita compreender a realidade vivenciada no dia a dia.

Relatórios e documentos médicos podem apresentar informações sobre o diagnóstico, acompanhamento e características do TEA. Outros documentos podem ajudar a demonstrar tratamentos, terapias, necessidades de acompanhamento e impactos na rotina da criança.

O objetivo não é apenas identificar a existência do diagnóstico, mas compreender as limitações e barreiras que fazem parte da realidade daquela pessoa.

A renda familiar é considerada?

Sim. A situação socioeconômica é um dos aspectos analisados para a concessão do BPC.

A legislação estabelece critérios relacionados à renda familiar por pessoa, mas a análise da vulnerabilidade possui regras específicas. Também existem situações e rendimentos que podem receber tratamento próprio na legislação.

Por isso, não é recomendável considerar apenas uma conta simples de renda sem verificar a composição do grupo familiar e as regras aplicáveis ao caso.

O Cadastro Único é necessário?

Sim. O Cadastro Único possui papel importante na análise do BPC.

As informações da família precisam estar atualizadas, incluindo dados relacionados aos integrantes do grupo familiar, renda e endereço.

Manter o cadastro atualizado ajuda a evitar inconsistências entre as informações apresentadas no pedido e os registros utilizados na análise.

Quais documentos podem ajudar?

A documentação deve refletir a realidade da criança e da família.

Dependendo do caso, podem ser relevantes:

  • documentos pessoais da criança e dos responsáveis;
  • comprovante de residência;
  • documentos relacionados ao Cadastro Único;
  • relatórios médicos;
  • laudos e exames;
  • documentos que comprovem acompanhamento e tratamentos;
  • informações sobre terapias e necessidades específicas;
  • documentos relacionados à situação socioeconômica da família.

É importante que os documentos sejam atuais e apresentem informações claras e coerentes com a situação vivenciada.

E se o BPC for negado?

O indeferimento do BPC não significa necessariamente que a criança não tenha direito ao benefício.

O primeiro passo é identificar qual foi o motivo da negativa. Pode ser necessário verificar a avaliação realizada, os documentos apresentados e as informações consideradas pelo INSS.

Dependendo do caso, existem medidas que podem ser avaliadas, como a apresentação de recurso administrativo ou outras providências cabíveis.

Por isso, é importante não ignorar a decisão e observar os prazos aplicáveis.

Conclusão

O BPC pode representar uma importante forma de proteção social para crianças com autismo que preencham os requisitos legais.

Entretanto, o diagnóstico de TEA não garante automaticamente o benefício. É necessário analisar os impedimentos e limitações, as barreiras enfrentadas pela criança e a situação socioeconômica do grupo familiar.

Manter o Cadastro Único atualizado e reunir documentação adequada são cuidados importantes para demonstrar a realidade da criança e da família.

Cada caso possui características próprias. Por isso, diante de dúvidas ou de uma negativa do INSS, é recomendável analisar individualmente a situação e os motivos da decisão.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não substitui a análise individual de um caso concreto.

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Sobre o Autor

Suzana Maluf

Advogada especialista em Direito Previdenciário.

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