Quem está planejando a aposentadoria precisa ficar atento ao histórico de contribuições ao INSS. Um detalhe que pode passar despercebido é o pagamento de contribuições previdenciárias com valor inferior ao salário mínimo.
Mas, afinal, essas contribuições contam para a aposentadoria? A resposta depende do período e da situação do segurado. Em determinadas situações, é possível regularizar os valores para que as competências sejam consideradas pelo INSS.
Neste artigo, entenda como funciona essa regra, quais são as alternativas de regularização e como verificar se existem pendências no seu histórico previdenciário.
Desde a entrada em vigor da Reforma da Previdência, em novembro de 2019, as competências em que o total das remunerações fica abaixo do salário mínimo precisam passar pelos ajustes previstos na legislação para serem consideradas para fins de aquisição e manutenção da qualidade de segurado, carência, tempo de contribuição e cálculo do benefício.
Isso significa que uma contribuição abaixo do mínimo não é necessariamente perdida, mas pode exigir regularização antes de ser utilizada para a aposentadoria.
Para os períodos anteriores à Reforma da Previdência, existem regras específicas. Por exemplo, no caso de empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos, as contribuições anteriores à mudança podem ser consideradas mesmo quando o salário de contribuição era inferior ao mínimo, sem a necessidade dos mesmos ajustes previstos para os períodos posteriores.
Por isso, é importante analisar a data de cada contribuição e a categoria do segurado antes de concluir se determinado período será válido.
Para as competências a partir de novembro de 2019, a legislação prevê alternativas para alcançar o limite mínimo exigido, conforme a categoria do segurado e as regras aplicáveis.
Uma das possibilidades é pagar a diferença entre o valor da remuneração considerada e o salário mínimo vigente no mês da contribuição, aplicando a alíquota correspondente.
Esse procedimento permite regularizar determinadas competências, desde que o segurado esteja entre aqueles autorizados a utilizar essa modalidade de ajuste.
Em algumas situações, é possível utilizar o valor que ultrapassou o limite mínimo em uma ou mais competências para completar contribuições que ficaram abaixo do piso exigido.
Essa alternativa depende das regras aplicáveis ao segurado e aos períodos envolvidos.
Outra possibilidade é agrupar valores de contribuições inferiores ao mínimo de diferentes competências, de forma que o resultado permita aproveitar uma ou mais competências, respeitando os limites legais.
Essas opções devem ser avaliadas com cuidado, pois o ajuste realizado pode se tornar irreversível e irrenunciável após ser processado pelo INSS.
As orientações oficiais sobre as modalidades de ajuste estão disponíveis no site do INSS.
Não. As alternativas não se aplicam da mesma forma a todas as categorias de contribuintes.
As regras de ajuste previstas para as competências a partir de novembro de 2019 abrangem, entre outros casos, empregados, empregados domésticos, trabalhadores avulsos e determinados contribuintes individuais que prestam serviços a empresas.
Já o contribuinte individual que trabalha por conta própria, o microempreendedor individual (MEI), o segurado facultativo e o segurado especial possuem regras específicas para a regularização de contribuições abaixo do mínimo.
Por esse motivo, antes de realizar qualquer pagamento complementar, é importante identificar a categoria de contribuição e verificar qual procedimento é permitido para cada situação.
O primeiro passo é consultar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne os vínculos empregatícios, as remunerações e as contribuições previdenciárias registradas no sistema.
A consulta pode ser feita pelo portal ou aplicativo Meu INSS.
Ao conferir o documento, observe se existem competências com indicadores ou pendências, remunerações inferiores ao salário mínimo ou períodos que não aparecem corretamente no histórico.
Se houver alguma inconsistência, é importante verificar a origem do problema antes de solicitar a regularização. Nem toda pendência exige o mesmo procedimento, e o simples pagamento de uma guia não garante, por si só, que determinado período será reconhecido para todos os efeitos previdenciários.
Quando uma competência exige ajuste e ele não é realizado, o período pode deixar de ser considerado para fins previdenciários previstos na legislação.
Isso pode afetar o preenchimento dos requisitos para aposentadoria, a contagem do tempo de contribuição e a carência, conforme o caso.
A consequência depende do histórico completo do segurado. Por isso, identificar o problema antecipadamente pode ajudar a evitar surpresas no momento de solicitar o benefício.
Em muitos casos, verificar e corrigir as pendências antes de solicitar a aposentadoria é uma medida importante. No entanto, a regularização precisa ser planejada.
Antes de pagar diferenças ou agrupar competências, é recomendável avaliar quais períodos realmente precisam de ajuste, quais alternativas são permitidas e como a regularização poderá influenciar os requisitos do benefício.
Essa análise também ajuda a evitar pagamentos desnecessários ou procedimentos inadequados para a categoria do segurado.
Contribuições abaixo do salário mínimo podem exigir regularização para serem consideradas na aposentadoria, especialmente nos períodos posteriores à Reforma da Previdência. Entretanto, as regras variam conforme a data da contribuição e a categoria do segurado.
Consultar o CNIS e verificar eventuais pendências é um passo importante para compreender a situação previdenciária e identificar quais providências podem ser necessárias.
A equipe da Maluf Advogados Associados atua na área previdenciária e pode orientar sobre questões relacionadas ao INSS, conforme as particularidades de cada caso.
Antes de solicitar a aposentadoria, confira seu histórico de contribuições e verifique se há períodos que precisam de atenção.
