Cargo de Confiança Bate Ponto? Descubra se Você Tem Direito a Horas Extras Não Pagas

Cargo de Confiança Bate Ponto? Descubra se Você Tem Direito a Horas Extras Não Pagas

Trabalhar em uma posição de destaque na empresa é o objetivo de muitos profissionais. Receber aquela promoção, passar a liderar uma equipe e ganhar autonomia parece o cenário ideal. 

No entanto, para muitos trabalhadores, a realidade do dia a dia acaba se tornando exaustiva: jantares em família interrompidos por ligações da diretoria, mensagens no WhatsApp aos domingos e jornadas que passam facilmente das 10 ou 12 horas diárias.

Quando o cansaço bate, vem o questionamento: “Trabalho tanto, não recebo horas extras e me dizem que é porque sou ‘confiança’. Mas o cargo de confiança bate ponto? Isso está certo?”.

Muitas empresas utilizam esse rótulo de forma errada apenas para deixar de pagar o que é de direito do trabalhador. 

Se você está vivendo essa rotina massacrante e quer entender se está sendo passado para trás, explicamos tudo o que você precisa saber de forma simples e direta. Acompanhe!

Quem tem cargo de confiança bate ponto?

Em regra, não. O verdadeiro funcionário que ocupa um cargo de confiança exerce um papel de gestão tão importante que ele é o “braço direito” do dono da empresa. 

Por causa dessa enorme autonomia, ele mesmo faz o seu próprio horário. Como a lei entende que a sua jornada não é fiscalizada, ele não precisa registrar os horários de entrada, almoço e saída.

No entanto, o cotidiano de muitos trabalhadores é bem diferente: eles possuem o título de “chefe” no contrato, mas o RH exige que batam o ponto biométrico ou assinem a folha de presença todos os dias.

Atenção: Se a empresa obriga você a registrar seus horários, significa que a sua jornada é controlada. E se a jornada é controlada, a regra da isenção cai por terra: você deve, sim, receber pelas horas extras trabalhadas.

O que diz a CLT sobre o cargo de confiança?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aborda essa questão no artigo 62. A lei deixa claro que os ocupantes de cargos de gestão não entram no regime de controle de jornada (e por isso não recebem horas extras).

Porém, para que isso seja válido, a CLT exige dois requisitos obrigatórios e cumulativos:

  1. Poderes de mando: O trabalhador deve ter autonomia real para tomar decisões importantes pela empresa;
  2. Padrão salarial elevado: O salário desse profissional, incluindo o chamado “adicional de função” (se houver), deve ser, no mínimo, 40% maior do que o salário dos seus subordinados diretos ou do cargo efetivo imediatamente anterior. Se você ganha quase o mesmo que a sua equipe, você não está em um cargo de confiança perante a lei.

Quais são os cargos de confiança?

Geralmente, o mercado de trabalho enquadra nessa categoria profissionais de alta liderança, como:

  • Diretores;
  • Gerentes Gerais ou Gerentes de Filial;
  • Chefes de Departamento ou Chefes de Setor;
  • Coordenadores com amplos poderes.

O que descaracteriza um cargo de confiança?

Muitas empresas criam o “falso cargo de confiança” apenas para cortar custos com a folha de pagamento. 

No dia a dia, o que vale para a Justiça do Trabalho não é o nome bonito escrito na sua carteira de trabalho, mas sim a realidade da sua rotina (Princípio da Primazia da Realidade). O seu cargo de confiança é descaracterizado se:

  • Você precisa bater ponto ou assinar folha de horários;
  • Você não tem autonomia para aplicar uma advertência, suspensão ou demitir um funcionário da sua equipe sem pedir autorização para outra pessoa;
  • Você precisa de aprovação para tarefas simples, como abonar a falta de um liderado ou mudar o horário de almoço do setor;
  • O seu salário não cumpre o requisito dos 40% de acréscimo em relação aos demais funcionários da equipe.

Qual a diferença entre gerente e cargo de confiança?

Nem todo gerente ocupa um cargo de confiança legal. Um profissional pode ter o título de “Gerente de Loja”, mas passar o dia fazendo as mesmas funções operacionais dos vendedores, sem poder de decisão e com o horário rigidamente controlado pelo dono do negócio.

O gerente comum é um supervisor de tarefas. Já o cargo de confiança previsto na CLT é aquele que substitui o próprio empregador na tomada de decisões estratégicas da empresa.

O que fazer se estiver em um “falso” cargo de confiança?

Se você percebeu que a sua rotina se encaixa no falso cargo de confiança, ou seja, você trabalha além da conta, tem sua jornada controlada, mas não recebe um centavo a mais por isso, você está sofrendo um prejuízo financeiro enorme.

O primeiro passo é juntar provas da sua rotina real. Guarde:

  • Espelhos de ponto ou históricos de sistemas de login e logout;
  • E-mails enviados ou respondidos de madrugada ou nas madrugadas de finais de semana;
  • Mensagens de WhatsApp com cobranças de metas fora do horário de expediente;
  • Testemunhas (colegas de trabalho) que saibam que você não tinha autonomia de verdade e que trabalhava em jornada estendida.

Com essas provas, você pode buscar os seus direitos na Justiça do Trabalho para exigir o pagamento de todas as horas extras trabalhadas nos últimos 5 anos, com os devidos reflexos no décimo terceiro, férias, FGTS e aviso prévio.

O papel do advogado para garantir que os seus direitos sejam respeitados

A legislação trabalhista possui muitas armadilhas burocráticas, e as empresas contam com grandes equipes de recursos humanos para tentar abafar essas irregularidades. Enfrentar essa situação sozinho pode ser desgastante e intimidador.

O advogado especialista em Direito do Trabalho é o profissional essencial para equilibrar o jogo. O papel do especialista envolve:

  • Auditar o seu caso: Analisar seus holerites e contratos para calcular o valor exato que a empresa está te devendo;
  • Organizar a estratégia: Encaixar as mensagens, e-mails e depoimentos de testemunhas de forma que o juiz perceba a fraude da empresa logo de início;
  • Garantir a celeridade: Conduzir o processo de forma firme, ética e ágil para buscar o seu dinheiro de forma justa, tirando toda a carga de estresse das suas costas.

A rotina de quem trabalha duro para sustentar a família merece respeito e a devida contraprestação financeira. Não é justo doar a sua saúde e o seu tempo de descanso para o crescimento de uma empresa sem receber o pagamento correto por isso.

Na Maluf Advogados Associados, entendemos que as relações de trabalho e a seguridade social atuam em momentos cruciais na vida das pessoas. Por isso, realizamos um projeto baseado na máxima qualidade, confiança e segurança jurídica. 

Atuamos há mais de 15 anos representando trabalhadores e segurados de todo o Brasil a garantirem seus direitos de forma célere, eficiente e ágil.Não abra mão do dinheiro que você conquistou com o seu suor. Fale agora mesmo com um de nossos advogados especialistas para analisarmos. Cuidamos da burocracia para você colher os frutos do seu trabalho com dignidade.

Maluf advogados associados

Sobre o Autor

Suzana Maluf

Advogada especialista em Direito Previdenciário.

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