Receber o diagnóstico de uma doença grave é um momento que paralisa a vida de qualquer pessoa. Da noite para o dia, a rotina que antes era preenchida pelo trabalho, pelos momentos em família ou pelo merecido descanso da aposentadoria passa a ser organizada em torno de consultas médicas, exames e uma enorme ansiedade em relação ao futuro.
O impacto se torna ainda maior quando o médico entrega a receita de um tratamento essencial, mas cujas caixas custam milhares de reais, um valor completamente fora da realidade do orçamento familiar.
Surge então a dúvida angustiante: “Como vou pagar por isso sem comprometer o sustento da minha casa?”.
Se você ou um familiar está passando por esse momento delicado, saiba que a saúde é um direito garantido por lei e o Estado tem a obrigação de fornecer esse amparo.
Criamos este guia prático para explicar, de forma simples e humana, como conseguir medicamentos de alto custo pelo SUS e o que fazer se o governo colocar barreiras no seu caminho. Acompanhe!
O Sistema Único de Saúde possui uma estrutura organizada para fornecer remédios modernos e complexos que a maior parte da população não teria condições de comprar.
Esses remédios fazem parte do chamado Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). O SUS fornece tratamentos de ponta para diversas patologias graves, incluindo:
Geralmente, são considerados “de alto custo” aqueles medicamentos que possuem valor de mercado elevado devido à alta tecnologia necessária para sua fabricação ou à exclusividade de patente.
No contexto do SUS, são fármacos que não são distribuídos nos postinhos de saúde comuns do bairro.
Eles estão inseridos em uma lista oficial do Governo Federal chamada RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais).
Para que o fornecimento seja liberado, o paciente precisa preencher os critérios médicos dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) criados pelo Ministério da Saúde, demonstrando que aquele remédio específico é a alternativa correta para o seu caso.
O caminho para solicitar o tratamento exige atenção e o preenchimento correto de uma papelada que a Secretaria de Saúde do seu Estado exige. Qualquer erro nessa etapa pode fazer o processo ser devolvido, atrasando o início das doses.
O passo a passo para dar entrada no pedido envolve três etapas fundamentais:
O seu médico (que pode ser da rede pública ou privada) deve preencher o LME (Laudo para Solicitação de Medicamento do Componente Especializado).
Esse formulário é padrão em todo o Brasil. Nele, o médico deve relatar detalhadamente o seu diagnóstico, o histórico de tratamentos que não funcionaram e a justificativa da urgência da medicação. O documento deve estar assinado, carimbado e com data recente.
Você precisará anexar a receita médica atualizada (com o nome do princípio ativo do remédio, e não a marca comercial) e as cópias dos exames laboratoriais ou de imagem que comprovam a existência e a gravidade da doença.
Separe cópias do seu RG, CPF, comprovante de residência e o seu Cartão Nacional de Saúde (Cartão do SUS).
Com todos os papéis em mãos, o pedido deve ser protocolado presencialmente ou de forma online (dependendo do seu Estado) na Farmácia de Alto Custo da sua região. Após a entrega, o Estado tem um prazo administrativo para analisar e deferir o pedido.
Sim, com certeza. Este é um mito muito comum que faz muitas pessoas desistirem antes mesmo de tentar.
O SUS não pode negar o fornecimento de um medicamento de alto custo apenas porque o seu médico atende em um consultório particular ou convênio.
O direito à saúde está ligado ao cidadão, e não ao local onde ele se consulta.
Desde que o seu médico particular preencha o LME corretamente, fundamente a necessidade do remédio com base nos exames e utilize o nome genérico da substância na receita, a Secretaria de Saúde é obrigada a receber e avaliar o seu pedido da mesma forma que avalia o de um paciente vindo de um hospital público.
Infelizmente, mesmo seguindo todo o passo a passo, o cidadão frequentemente esbarra na burocracia fria do Estado.
É comum a Farmácia de Alto Custo negar o pedido alegando que “o remédio não está na lista oficial”, que “o paciente não cumpre todas as metas do protocolo” ou, pior ainda, aprovar o pedido mas informar que o medicamento está em falta no estoque por erro de licitação.
Quem enfrenta uma doença grave não tem semanas ou meses para esperar que o governo resolva seus problemas burocráticos.
É nesse momento que o advogado especialista em Direito da Saúde e Previdenciário se torna o seu maior aliado. O suporte jurídico especializado atua de forma decisiva para:
A seguridade e o direito social devem atuar justamente nos momentos mais delicados na vida das pessoas, seja por motivo de doença, idade ou transição familiar.
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