Dra., paguei meus exames porque no SUS demora. Isso pode atrapalhar minha perícia?

Dra., paguei meus exames porque no SUS demora. Isso pode atrapalhar minha perícia?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes no escritório e, se você está passando por ela, respira fundo: a resposta curta é não.

Pagar por um exame particular, uma consulta ou uma fisioterapia não vai, de forma alguma, prejudicar o seu direito ao benefício no INSS. Pelo contrário, se bem utilizados, esses documentos podem ser a peça-chave para a aprovação do seu pedido.

Por que o medo de “ter condições” existe?

Muitos trabalhadores têm medo de que, ao apresentar um exame feito em clínica particular, o perito do INSS pense: “Se ele teve dinheiro para pagar esse exame, ele também tem condições de trabalhar”.

Mas vamos esclarecer uma coisa fundamental: o INSS não avalia a sua conta bancária para decidir se você está doente ou não. O que a perícia avalia é a sua incapacidade para o trabalho.

O valor real dos exames particulares

Na verdade, buscar atendimento particular é um ato de autocuidado e responsabilidade com a sua saúde. Quando o SUS demora meses para liberar um exame de imagem ou uma consulta com especialista, a sua doença pode evoluir, se agravar ou se tornar crônica.

Ao fazer o exame por conta própria:

  1. Você acelera o diagnóstico: E diagnóstico rápido é sinônimo de tratamento precoce.
  2. Você traz provas sólidas: Laudos de médicos particulares, exames de laboratórios renomados e relatórios de fisioterapeutas contam muito na hora da análise técnica.
  3. Você mostra o seu esforço: O perito verá que você está em busca de cura ou controle da doença, e não parado esperando o sistema.

Como usar esses documentos a seu favor?

Para que esses exames particulares ajudem e não gerem dúvidas, eles precisam estar “casados” com o restante do seu processo. Não adianta levar apenas o exame; você precisa de:

  • O Laudo Médico: O exame é apenas uma imagem ou um dado. O laudo do seu médico particular, explicando o que aquele exame significa para a sua capacidade de trabalhar, é o que realmente pesa na decisão do perito.
  • O Prontuário: Mantenha um histórico. Se você fez consulta particular, peça o relatório detalhado, com CID e a descrição do impacto da doença no seu dia a dia.
  • A Coerência: Garanta que os documentos particulares estejam alinhados com o que você diz na perícia.

Não deixe o medo impedir o seu tratamento

Se você tem a possibilidade de realizar um exame ou consulta particular, não deixe de fazer por medo de prejudicar seu benefício. O seu direito ao auxílio-doença ou aposentadoria por incapacidade é baseado no seu quadro clínico, e não no fato de você ter feito um esforço extra para conseguir um diagnóstico mais rápido.

O seu benefício é uma proteção para o seu sustento, enquanto você recupera a sua saúde.

Maluf Advogados Associados

Sobre o Autor

Suzana Maluf

Advogada especialista em Direito Previdenciário.

Você também pode gostar

Maluf Associados e Advogados - ©Todos os direitos Reservados - 2023
R. Brasil, 250 – Jardim dos Estados, cep 79010-230 - Campo Grande – MS.
CNPJ 43060097/0001-30