Receber o diagnóstico de uma doença grave, seja um linfoma, uma leucemia ou uma doença autoimune severa como o lúpus ou a artrite reumatoide, é um momento que muda tudo.
De uma hora para outra, a rotina de organizar a casa, trabalhar ou aproveitar os momentos com os netos é substituída por uma maratona de consultas, exames de sangue e uma ansiedade silenciosa que toma conta do peito.
O alívio surge quando o médico aponta um caminho de esperança: o tratamento com o Rituximabe, um medicamento biológico moderno capaz de combater as células doentes e devolver a qualidade de vida.
O problema é que, ao pesquisar o preço desse remédio nas farmácias e clínicas particulares, o sustento da família parece ameaçado. O custo é proibitivo para a imensa maioria dos brasileiros.
Se você recebeu a indicação dessa medicação e não sabe como arcar com os custos, saiba que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem a obrigação legal de fornecer esse amparo.
Elaboramos este guia para explicar detalhadamente os seus direitos e como agir caso o governo tente fechar as portas para o seu tratamento. Acompanhe!
O Rituximabe faz parte do grupo de medicamentos de alto custo que o SUS disponibiliza por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF).
O fornecimento é obrigatório e padronizado em todo o país para diversas doenças graves que constam nos Protocolos Clínicos do Ministério da Saúde.
Para dar entrada no pedido e receber o tratamento de forma gratuita, você precisa organizar uma pasta com documentos específicos exigidos pela Secretaria de Saúde do seu estado:
Com essa papelada em mãos, o pedido deve ser protocolado na Farmácia de Alto Custo da sua região para passar pela análise dos peritos do Estado.
Na rede privada, o preço de um único frasco de Rituximabe pode variar entre R$ 5.000,00 e mais de R$ 10.000,00, dependendo da dosagem necessária (geralmente frascos de 100mg ou 500mg).
Como o tratamento costuma exigir várias aplicações combinadas, o custo total de um ciclo pode ultrapassar facilmente a marca de R$ 30.000,00 a R$ 50.000,00.
É um valor astronômico e completamente fora da realidade da mesa de cabeceira de qualquer trabalhador ou aposentado brasileiro. É exatamente por causa desse preço proibitivo que o acesso pelo SUS não é um favor, mas uma garantia de sobrevivência.
A duração do tratamento varia completamente conforme a doença e a resposta do corpo do paciente.
Em casos de linfomas ou leucemias, o Rituximabe costuma ser administrado em ciclos (geralmente combinados com quimioterapia) que duram alguns meses.
Já para doenças autoimunes, o tratamento pode ser feito em aplicações espaçadas a cada seis meses como terapia de manutenção para evitar que a doença volte a atacar o organismo.
Toda a aplicação é feita por meio de infusão na veia (intravenosa), em ambiente hospitalar ou ambulatorial, sob supervisão médica, e pode durar algumas horas por sessão.
Sim. O Rituximabe é uma classe de medicamento conhecida como anticorpo monoclonal, que atua de forma direcionada no sistema imunológico (um tipo de terapia alvo ou imunoterapia).
O SUS possui a obrigação de cobrir tratamentos de imunoterapia e terapias biológicas modernas para pacientes oncológicos e com doenças autoimunes graves, desde que haja fundamentação médica de que os remédios tradicionais e mais baratos não surtiram efeito.
O segredo para conseguir qualquer remédio de alto custo pelo sistema público está na precisão dos documentos médicos.
O laudo do seu especialista precisa deixar claro que você já tentou outras alternativas fornecidas pelo postinho de saúde e que nenhuma delas funcionou, ou que o seu quadro é tão grave que o Rituximabe é a única opção capaz de salvar sua vida ou evitar sequelas irreversíveis.
O SUS funciona de forma burocrática, por isso, relatórios médicos detalhados e sem rasuras evitam que o seu processo fique travado.
Infelizmente, a realidade nos balcões das farmácias públicas costuma ser dura. Muitos pacientes ouvem respostas negativas que geram desespero, tais como: “o medicamento está em falta no estoque por problemas na licitação”, “esse remédio não está na lista para a sua doença específica” ou “o seu pedido foi indeferido pela junta médica”.
Se o SUS negar o Rituximabe ou atrasar a entrega das ampolas, você não deve esperar de braços cruzados.
Doenças graves não esperam a burocracia do governo resolver seus problemas de estoque. A interrupção ou o atraso em uma aplicação de Rituximabe coloca em risco todo o tratamento já realizado.
Diante da negativa ou da omissão do Estado, o caminho correto é a judicialização da saúde.
A Constituição Federal determina que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. A Justiça brasileira entende que nenhuma lista de repartição pública pode limitar o direito de um cidadão de receber o tratamento prescrito por seu médico de confiança.
Passar por um tratamento de saúde complexo exige muita força física e mental. O paciente debilitado e a sua família não devem gastar as poucas energias que restam enfrentando filas, respondendo a recursos burocráticos ou discutindo com servidores públicos.
É nesse momento de vulnerabilidade que a presença de um advogado especialista em Direito à Saúde se torna indispensável. O profissional jurídico atuará como o seu escudo protetor para:
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