Se você passou por uma perícia médica no INSS e, ao ler o laudo, se deparou com termos como “segurado entrou andando”, “apresentou-se lúcido e orientado” ou “estava limpo”, é muito provável que você tenha sentido uma profunda injustiça. Afinal, como um perito pode medir a dor de um transtorno mental em poucos minutos de atendimento?
A triste realidade é que, em 2026, o INSS ainda mantém uma visão muito focada em incapacidades físicas. Quando o perito registra que você “estava limpo” ou “andava bem”, ele está cometendo um erro técnico grave: confundir aparência com capacidade laborativa.
A depressão, a ansiedade e outros transtornos graves não afetam a sua locomoção. Eles afetam a sua vontade, a sua capacidade de concentração, a sua interação social e a sua energia vital.
Quando você se prepara para ir a uma perícia, você faz um esforço hercúleo para tomar banho, se vestir e sair de casa. Esse esforço é um mecanismo de defesa, não um sinal de cura. O fato de você conseguir chegar ao local da perícia não significa que você teria condições de cumprir uma jornada de trabalho de 8 horas diárias, sob pressão e com prazos, por exemplo.
Se o seu benefício foi negado por essa razão, saiba que você não deve aceitar o resultado passivamente. O INSS possui mecanismos de revisão, mas eles precisam ser muito bem fundamentados.
Para reverter esse tipo de negativa, precisamos demonstrar que a sua incapacidade é funcional, e não física. O que o perito precisa enxergar (e muitas vezes não vê no clínico geral do INSS) são documentos que comprovem:
O sistema previdenciário brasileiro é técnico e burocrático. O perito do INSS tem um tempo cronometrado e, muitas vezes, não tem a sensibilidade ou a especialidade necessária para avaliar uma doença psiquiátrica.
Como advogado especialista, meu papel é traduzir a sua dor para a linguagem que o INSS e o Poder Judiciário entendem. Muitas vezes, a solução está em buscar uma perícia judicial, onde um médico especialista na área da sua doença fará uma análise profunda e justa da sua condição.
Se o laudo ignorou a sua realidade e você se sentiu humilhado ou injustiçado, não desista do seu direito. A depressão é uma doença incapacitante e a lei garante proteção a quem não consegue trabalhar por conta dela.
Vamos analisar o seu caso e ver quais documentos faltaram para que o seu direito seja reconhecido?
